23/02/06

O CHAPARRÃO





Existem poucas fotografias do chaparrão, apresento aqui neste espaço duas.
Quem possuir fotos do chaparrão, e queira partilhar pode enviar para: agloriadomundo@sapo.pt

21/02/06

A GLÓRIA DO RIBATEJO NA POESIA DE ALEXANDRE O’NEILL

“O CHAPARRÃO DE GLÓRIA”
OU “O CASO DO CAMIONISTA ARBORICIDA”
De um chaparro se orgulhava
Glória, a do Ribatejo
chaparrão tricentenário
- uma árvore que botava!-
e à volta da qual dançava
o povo homenageário


Não digo que ele chegava
em seu poder tutelar
ao carvalho de Guernica
esse carvalho sagrado
à sombra do qual os reis
- contrariados, quem sabe? –
Juravam, por sua fé
respeitar as liberdades
dos Bascos, povo de lei
gente que foi o que foi,
gente que é o que é


O Chaparrão de Glória
- trezentos anos contados –
nunca quis crescer na História
nunca foi bombardeado
como a árvore de Guernica
pela Condor, legião nazista.
Iria morrer, coitado,
- e isto já se antecipa –
aos golpes de um camionista.
De qualquer modo, o chaparro
de Glória do Ribatejo
era o mais velho da terra
- objecção não prevejo! –.
Como não ia ao Café,
iam ter com ele, não é?


Ora um dia, um camionista
- que eu chamo de Maximínimo –
sentiu no toutiço a crista
de galo de muita briga
e resolveu – que menino! –
à falta de rapariga
(“Espera aí, que eu já te agarro!”)
bater no velho chaparro.

Por que tascas se arrastara
p’ra estar assim tão à rasca?
Camionista que se preze
e transporta anchas cargas
conta tanto com as árvores
como conta com a estrada!


Ao grito: “Democracia
e…portanto mando eu!”
o camião já enfia,
o pobre desse sandeu,
contra o chaparro ancião
e com as vigas de cimento
- a carga que transportava –
tantas vezes lhe batera,
tantas vezes lhe bateu
que o chaparrão derrubava
e em três estúpidos tempos
nos três séculos matava
o aprumo da terra ao céu!


E assim, p’ra vossa memória,
aqui fica a triste história
do Chaparrão da Glória.


P.S. às autoridades
Se encontrarem o camionista,
não receiem, por favor
que ele não é nenhum bombista…
Tirem-lhe a carta e a crista
e tratem-no com rigor.

Alexandre O’Neill, In Poesias Completas, pp.423 - 425

18/02/06

O abastecimento de água na Glória do Ribatejo II




ALGUNS FONTANÁRIOS DESTA ÉPOCA:

O abastecimento de água na Glória do Ribatejo


O abastecimento de água na Glória do Ribatejo, iniciou-se em 1966, ano em que também se celebrou a criação da Freguesia da Glória do Ribatejo, conforme nos informa o Correio do Ribatejo, de 22 de Outubro de 1966:
“Em Glória do Ribatejo, foi empossada a primeira Junta daquela freguesia e inaugurado o abastecimento de água à localidade.
Revestiu-se de solenidade a cerimónia da investidura da primeira Junta da nova freguesia de Glória do Ribatejo, a qual foi empossada no domingo passado pelo sr. Governador Civil, com a presença de numerosas individualidades e pessoas de representação do nosso distrito e do concelho de Salvaterra de Magos.”

16/02/06

O "botão" no Largo do "Paito"


No local onde hoje se encontra o coreto no Largo da Igreja, também conhecido por "Paito", que é uma deturpação do termo pátio, existia um "botão", que quando accionado deitava água, que vinha de um depósito que estava e ainda está no rua do covão.
Aqui vemos na imagem o botão e em primeiro plano, o Ti "S'Toine", a segurar uma criança.

12/02/06

Comentário de José Monteiro

Continuamos a receber comentários, de vários "filhos da terra", que por razões várias não estão de momento na Glória do Ribatejo.
Aqui fica o comentário de José Monteiro:

"ola espero que esteja tudo bem ai pela santa terra , gostei muito de ver que nevou na gloria coisa que ja vi para ai a uns 20 anos num dia de carnaval ,mas foi muito pouco .
como estou um pouco longe dai gostava de ir sabendo das novas , um abraco".
JOSE MONTEIRO

Para colaborar ou exprimir comentários enviar sugestões para: agloriadomundo@sapo.pt

07/02/06

A ESCOLA VELHA

A “escola velha”, foi construída em 1907, e durante décadas foi o local onde centenas e centenas de glorianos aprenderam a ler e a escrever.
Foi destruída no pós 25 de Abril, porque estava em avançado estado de degradação.
Não houve a preocupação em restaurar a escola, e dotá-la a outras funções, e desta forma destruiu-se a memória deste edifício histórico.
Hoje apenas resta a toponímia
Cabeço da Escola Velha” e nada mais.

A CAMINHO DA ESCOLA



Num passado não muito distante há cerca de 30/40 anos, esta era uma imagem usual, grupos de raparigas deslocava-se para a escola.
Envergavam a saia costurina pelas costas para se protegerem do frio, e muitas andavam descalças por caminhos lamacentos, visto que os pais não possuíam dinheiro para comprar um par de sapatos.

02/02/06

A Casa Tradicional Gloriana

A casa de tipo mais vulgar é a de paredes baixas e chaminé alçada sobre a da frente, havendo entre todas tal uniformidade que os arruamentos se caracterizavam por uma harmonia singela destacado pelo branco do caiado.
Não se preocupa cada um em dominar o vizinho pela imponência da sua habitação, e a curva graciosa desta rua larga e limpa, toda branquinha é como que o reflexo das almas brandas e simples dos seus moradores.
Alves Redol, Glória uma aldeia do Ribatejo, p. 81

31/01/06

NEVOU NA GLÓRIA DO RIBATEJO






No domingo passado nevou na Glória do Ribatejo.
Estranho fenómeno e nada habitual na charneca ribatejana.
Aqui fica o nosso registo de algumas fotos. Se alguém tiver fotos deste nevão e queira partilhar, é favor de enviar para: agloriadomundo@sapo.pt.

28/01/06

TRABALHO DE "FARNEL AVIADO"

No passado para ir trabalhar para os grandes proprietários agrícolas, a mulher gloriana percorria a pé muitos quilómetros, descalça ou de tamancos, carregando à cabeça o “talego” do jantar e sobre os ombros a saia de “costorina” que a protege das intempéries e lhe servia de manta nas longas noites passadas no “quartel”.
Chegada ao seu destino, várias tarefas, qual delas mais violenta a esperavam: ceifa, monda e apanha do arroz, descava da vinha, apanha da azeitona, a vindima....
Longe da sua casa, da sua família, trabalha de sol a sol, soltando na voz o que lhe ia na alma, ora em cantos dolentes, ora mais alegres consoante
as saudades que a invadia.
Unindo as vozes, os seus cantos elevavam-se no ar inundando as searas da lezíria.
À noite no “quartel”, as glorianas juntavam-se em grupos à volta da candeia, lavrando com as suas mãos calejadas, caprichosos e artísticos bordados, verdadeiras obras primas de artesanato.

20/01/06

A opinião de um antropólogo - Para ler e reflectir

“Nós portugueses, que estamos não nas vésperas, mas em plena fase de perdermos toda essa riqueza do passado.
E se não corrermos rapidamente a salvar o que resta, seremos amargamente acusados pelos vindouros pelo crime indesculpável de ter deixado perder o nosso património tradicional, dando mostras de absoluta incúria e ignorância” (Jorge Dias)

18/01/06

FONTE VELHA


A Fonte Velha, foi durante décadas um dos locais, onde os glorianos saciavam a sede.
Com excepção das pessoas que possuíam poços, a grande maioria das pessoas do centro da Glória, deslocavam-se a este local onde enchiam as quartas ou as infusas.
A sua construção remonta ao ano de 1868, quando se manda edificar uma fonte abobadada.

"Anno de nascimento do Nosso Senhor Jesus Christo Mil Oitocentos sessenta e oito aos sette dias do mez de Junho no Paços d’este Concelho de Salvaterra de Magos (…)
Construção d’umma fonte no logar da Glória (…)
A fonte terá cinco metros e cincoenta e quatro centimentros de diametro com abobada.
A Camara fornece fretes da pedra, cal e tijolo para a fonte, e o arrematante fornece o tijolo preciso”

Fonte: AHMSM – Livro de arrematações 1840 – 1877

16/01/06

Comentário de Alexandre Fonseca

Continuamos a receber comentários de pessoas sobre o Blog.
Aqui deixamos a opinião de Alexandre Fonseca, e continuamos a apelar para participar com artigos, fotos, tudo o que possa engrandecer e divulgar a Glória do Ribatejo.

Bem, acho este espaço na net, bastante informativo para as pessoas que não conhecem os costumes, a tradição , desta vila que nos enche de orgulho a cada dia que passa.
Acho que tiveste uma excelente ideia Beto...
Um grande abraço...
Alexandre Fonseca

12/01/06

O Vinho


O recurso ao vinho é das soluções mais universais do Homem, porque se bebe por tudo: quando se está triste, quando se está contente, porque se está só, porque se está com os amigos, porque estamos zangados, porque fizemos as pazes, porque estamos apaixonados, porque celebramos a vida, e até, quando acompanhamos a morte.

Taberna da Ti Isabel "Sapateira"


Interior da taberna da Ti Isabel "Sapateira"

Taberna do Ti Manel Esteves

Interior da Taberna do Ti Manel Esteves e a Ti Maria Luísa - 2 figuras peculiares da Glória do Ribatejo

As Tabernas

Eram locais de sociabilidade, onde os homens faziam questão de beber o copo de vinho sem interrupção, contudo bebiam este copo devagar, prolongando o prazer do sabor, deixando sempre uma pinga no fundo que era atirada para o chão da taberna.
Finalizavam este acto, proferindo a expressão “AAHHHH”! Limpando a boca às costas da mão ou nas mangas da camisola.
Hoje em dia na Glória do Ribatejo, apenas restam 2 tabernas tradicionais dignas desse nome: a Taberna do Ti Manuel Esteves e a Taberna da Ti Isabel Sapateira, as outras evoluíram para Café ou fecharam as portas.

10/01/06

Café Flor da Glória


O Café Flor da Glória, estava localizado no "Largo do Chaparrão" e foi o primeiro café a aparecer nesta localidade.

08/01/06

COMENTÁRIO DE MARCO CRISTÓVÃO

Caro amigo,
Em primeiro lugar quero dar-te os parabéns pelo lindo filho que tens e que nasceu em tão linda data: 26 de Dezembro (também nasci a 26 de Dezembro).
Depois, quero dar-te os parabéns pelo teu blog sobre a nossa Glória do Ribatejo. Apesar de fazer a minha vida entre Salvaterra de Magos e Lisboa, por motivos familiares e profissionais, confesso que é na nossa terra que me sinto no paraíso.
Não existem palavras para descrever o ar que se respira na Glória.
É fenomenal falar com os nossos avós que nem ler sabem e que tudo nos deram para nos licenciarmos e triunfarmos na vida.
Esta pode ser a palavra chave da nossa terra: DAR.
Muito está por dizer e por contar. Tenho a certeza que este blog irá contribuir para levar a Glória ao mundo.
Cada vez mais tenho orgulho em dizer que sou natural da Glória do Ribatejo nestes meios onde me movimento, um Chibo assumido a 100%.
Um abraço e qualquer dia volto a deixar-te mais uma prosa. Inté...
Marco Paulo Cristóvão

ALGUMAS NOTAS SOBRE AS ALCUNHAS NA GLÓRIA DO RIBATEJO II

Continuação de alcunhas na Glória do Ribatejo (parte 2:

Alcunhas alusivas a dotes, ou defeitos físicos e morais:
- João “Cara-Linda”
- José “Talunga” (o seu antepassado era muito alto)
- Manuel “da Tora”
- José “Preto”
- José “Cor-da-Noite”
- João “Pão-de-Centeio” (por andar sempre a rir)
- António “Pasmarra”
- Modesto “Sono”
- Silvestre “Faralhéu”
- Quitéria “Mansa”
- Maria “Fina”

Alcunhas determinadas por ofício ou profissão:

- Custódio “Marinheiro”
- António “Sardinheiro”
- Inácio “Fachineiro”
- António “Sapateiro”
- António “Barbeiro”

Alcunhas com origem em nome de animais:
- Alexandre “Mosca”
- Maria “Chiba”
- Maria “Loba”
- Inácio “Borrego”
- Quitéria “Bezerra”
- Joaquina “Cuca”
- António “dos Perus”
- José “Gato”
- Joaquina “Rola”

Alcunhas referentes a utensílios, apodos ou estribilhos:
- Rita “Chocalho-Velho”
- António "Tacão"
- Joaquim “Estaca”
- António “Mau-Tempo”
- Rita “Não-te-Cases”

ALGUMAS NOTAS SOBRE AS ALCUNHAS NA GLÓRIA DO RIBATEJO

Após o nascimento, o bebé é inscrito no Registo Civil, com um nome de acordo com a lei, mas verifica-se que raramente o uso, o que acontece é que a pessoa em questão vai ser conhecida por uma alcunha.
Por vezes ninguém na Glória conhece o indivíduo pelo nome “oficial”, mas sim pela alcunha o que origina situações algo caricatas.
As alcunhas fazem referência ao carácter hereditário, a lugares geográficos, a atributos físicos, a profissões, a nome de animais entre outros.

Alguns exemplos:

Alcunhas hereditárias:
- Nome oficial: Maria Monteiro Gomes
- Nome conhecido: Maria “Ermelinda” (Ermelinda da mãe)
- Nome oficial: António Caneira Pereira
- Nome conhecido: António “Rito” (Rito, da mãe = Rita)

Outras alcunhas têm por vezes um significado no qual se verifica a observação do povo e o seu espírito crítico.

Alcunhas por local geográfico:

- António “do Pinhal”
- Francisco “do Loulé”
- Manuel “da Lama”
- Ana “Mugica” (de Muge)

05/01/06

A MULHER GLORIANA III

MULHER GLORIANA II




“Permanecendo na charneca ou seguindo ela própria, com os filhos e com o gado, atrás do homem, quando a necessidade de melhores pastagens o exigia; na quietude como nessas caminhadas até às proximidades dos surgidoiros demandados pelo marido e nas quais permanecia até ao regresso deste.
Aprendeu a fortalecer a vontade sem nunca perder o amor aquele chão onde haviam nascidos os pais e os avós.”


Margarida Ribeiro In Estudos sobre a Glória do Ribatejo

A MULHER GLORIANA


“Se a observarmos hoje, sentada no chão, dentro da sua própria casa, de pernas cruzadas; se fixarmos o seu rosto queimado pelas intempéries em contraste com a brancura das têmporas, devido à protecção permanente do lenço que põe na cabeça; se perscrutarmos a sua posição aprumada e silenciosa, teremos compreendido as longas vicissitudes experimentadas pelas gerações que lhes transmitiram a indiferença pelo conforto e o sentido de providência e economia com que sabe precaver-se”

Margarida Ribeiro, In Estudos sobre a Glória do Ribatejo

04/01/06

Comentário de Ana Margarida Caneira

Registamos aqui com muito interesse e alegria o comentário de uma gloriana Ana Margarida Ribeiro, e apelamos para que continuem a enviar comentários para agloriadomundo@sapo.pt


Descobri, por acaso, este espaço dedicado à Glória e achei muito, muito giro. Acho estes registos fundamentais para memória futura.
De repente, lembrei-me de algumas férias que lá passei, os passeios de carroça com o meu avô João, as rãs dentro do poço da Sesmaria a quem atirava caroços de pêssego, as matanças do porco que tanto me impressionavam, o pão acabado de cozer e que a minha avó barrava com azeite e açucar, a minha cama com colchão de palha, a lareira com os chouriços pendurados, o Tóino Ceguinho e o seu acórdeão, e tantas outras coisas.
Foi engraçado descobrir este blog.

Vê-se que é um trabalho de pesquisa feito com gosto e espero que tenha continuação.
Margarida
Esqueci-me: As fotografias são muito boas.

31/12/05

BOM ANO DE 2006

Ano velho vida nova!
2005 chegou ao fim, 2006 está aí a entrar.
A todos que passam por este espaço, desejamos um EXCELENTE 2006.
R.C.

29/12/05

Francisco já nasceu!



Francisco já conhece o mundo.
Nasceu no dia 26 de Dezembro, pelas 15h 20m, pesa 3,380 e mede 49cm.
Bem vindo ao mundo meu filho.
Roberto Caneira

23/12/05

O NATAL NA GLÓRIA DO RIBATEJO

O Natal da Glória do Ribatejo, era festejado no dia 26 de Dezembro!
A explicação sobre a comemoração do Natal no dia 26, é simples de explicar. Como não havia um sacerdote na aldeia, a missa só podia ser dita no dia 26, por um padre de Muge.
O povo habituou-se a este ritual e manteve este preceito antigo, do seu dia de Natal a 26 de Dezembro.
Esta tradição terminou sensivelmente há cerca de 30 anos, com as melhorias da vias de comunicação e dos transportes, permitiu que os sacerdotes realizassem a missa de natal no dia 25 de Dezembro.

18/12/05

Até sempre Ti Inácio


O Ti Inácio "Borrego" deixou-nos!
Exímio contador de histórias, recordava-nos as suas memórias da Glória do Ribatejo.
As suas narrativas sobre o passado da Glória, deixavam-me apreensivo e maravilhado.
Recordava-me os ganhos ruins, quando não havia trabalho, quando trabalhava de sol a sol, esse malandro que não queria deixar o dia, as memórias de uma aldeia que nada tinha em que todos eram pobres mas que se entreajudavam nos momentos mais decisivos.
Ti Inácio Borrego despediu-se da vida com 86 anos, esta é a minha singela homenagem a um Homem que recorda com eterna saudade.
Até sempre amigo.

16/12/05

Mulheres a lavarem no Ribeiro II

Mulheres a lavarem no Ribeiro


Até há cerca de 15/20 anos, esta era uma imagem presente no quotidiano da Glória do Ribatejo.
As mulheres deslocavam-se para o ribeiro onde aí lavavam a roupa e aproveitavam para por a conversa em dia.

15/12/05

DIAS DE FESTA


A festa em Honra de Nossa Senhora da Glória realizam-se no penúltimo fim de semana de Agosto.
No decorrer dos 4 dias de festejo, a mulher gloriana mais idosa, apruma-se com o seu melhor fato de festa, o lenço na cabeça, a saia e a blusa a que chamam “casaco” fazem parte desta indumentária tão peculiar.

10/12/05

Bordados a ponto de Cruz II


Pormenor de um avental bordado a ponto de cruz.
É visivel "um pinto", que é uma cruz de cristo, que segundo as mulheres mais idosas foi retirado de uma moeda antiga, a que chamavam de pinto.

Bordados a ponto de cruz

Os bordados a ponto de cruz são o "ex-libris" da cultura da Glória do Ribatejo.
É aqui que se manifesta o espírito criativo da mulher e a sua sensibilidade ao belo. Em tudo a gloriana põe um toque de arte, desde as cortinas “artisticamente” bordadas com que decora a casa até às peças de vestuário.
É ela que, nos momentos livres da sua vida de canseiras, confecciona tudo.
Uma outra utilidade em que o bordados a ponto de cruz estavão presente, era o ritual do namoro, quando começavam a namorar a rapariga tinha por hábito oferecer ao rapaz um lenço de namorado, onde estavam presente vários motivos decorativos e as iniciais dos seus nomes, o rapaz por sua oferecia-lhe uma navalha, esta oferta representa o pão que se há-de cortar em comum no lar que ambos sonham.

09/12/05

A CAMINHO DA CHARNECA II


Engatar a mula à carroça, partir para a charneca, continua a ser uma imagem de uma ruralidade, que por enquanto vai sobrivivendo às vicissitudes dos tempos modernos

05/12/05

A APANHA DE TRABALHO NA PRAÇA



“Os capatazes, previamente designados pelos patrões, convidam homens e mulheres para os diversos serviços. Se o ganho for bom, aceitam. Por vezes o dinheiro que oferecem não é muito. Mas desanimados com as suas sementeiras que não prometem render, resignam-se e partem para o trabalho.
Uma vez contratados, o capataz chega a uma taberna e pede uma molhadura, isto é, meio litro de vinho para cada homem. Se algum não pode ou não que beber vinho, bebe uma cerveja, pagando o que for a mais. As mulheres recebem uma meada de linhas. Aceite a molhadura, o homem ou a mulher já não pode abandonar o patrão que os contratou. Se o fizer está sujeito a pagar uma multa ou a processo de tribunal”
In Idalina Serrão Garcia, O falar da Glória do Ribatejo

29/11/05

Touca de infância


As toucas de infância da Glória do Ribatejo, eram bordadas a ponto cruz e tinham um "folhos" que relembram as gargantilhas usadas nos trajes dos nobres do séc. XVIII

21/11/05

Ruralidades II

CINGELEIROS

“Contam-se aqueles trabalhos que o cingeleiro passava, quando ia a Salvaterra, já no “tempo das cabras presas” (tempo de redução dos baldios), e tinha de levar consigo um bocado de sabão para ir aplicando nas rodas do carro, junto ao eixo, a fim de amortecer o ruído provocado pela rotação e poder entrar na vila. Mas revive-se, também grande alegria que ele experimentava, no regresso do Paul de Magos.
Ali permanecia, no meio da água, lavando cuidadosamente as rodas do carro, para o seu gadinho ficar contente e andar ligeiro ao som daquele chiar estridente, que o vento alongava pela charneca e ao qual se havia habituado, o cingeleiro, as suas vacas e os filhos que tentavam captar aquela música que se aproximava com mil promessas de ventura para a família.”
Margarida Ribeiro, In Estudos sobre Glória do Ribatejo

17/11/05

O Vinho - da cepa ao copo


O ciclo do vinho rege-se por um conjunto de funções, trabalhos e saberes dispersos ao longo do ano agrícola: desde a preparação da terra, passando pela a poda, a apanha de vides, a enxertia, a cura, a vindima, a pisa das uvas, a fermentação, a prova do vinho, as tabernas e a importância do vinho como elemento de sociabilidade.

Um passado ainda presente!



Apesar da massificação dos costumes, característica da sociedade actual, que alteram por completo os valores tradicionais.
A Glória do Ribatejo ainda consegue resistir a esta pressão e num processo de conhecimentos transmitidos de geração em geração, vai conseguindo manter os valores inalteráveis dos seus antepassados.
Persistem assim vivos os traços rurais: o cultivo da terra, a produção dos produtos e bens essenciais à sua subsistência.

16/11/05

Ruralidades


Lavrar a terra com auxilio de uma charrua puxada por um animal, continua a ser uma realidade na Charneca da Glória.

A Glória do Mundo

A Glória do Ribatejo, pela sua especificidade cultural, AINDA É UM LOCAL ONDE SE RESPIRA TRADIÇÃO.Este blog é um espaço de partilha sobre esta localidade. Solicitamos comentários e artigos para. agloriadomundo@sapo.pt