14/06/10

Exposição "As últimas carroças da Glória do Ribatejo"



A Associação para a Defesa do Património Etnográfico e Cultural da Glória do Ribatejo (ADPEC), encontra-se a trabalhar na preparação da sua exposição anual.
O tema este ano é dedicado às últimas carroças da Glória do Ribatejo, actualmente existem cerca de 8 a 9 carroças.
Esta exposição tem como objectivos dar a conhecer este veículo de tracção animal e todo um conjunto de aspectos etnográficos e antropológicos associados ao uso das carroças.
A ADPEC solicita a colaboração de todos com a cedência de objectos ou fotografias associados a este tema. Enviar colaboração para: agloriadomundo@sapo.pt ou robertocaneira@hotmail.com

Exposição As Festas






A exposição “As festas da Glória”, que esteve patente ao público no Museu Etnográfico chegou este mês ao fim.
Será desmontada e dará lugar a outra exposição.
Para o registo aqui ficam algumas fotografias recolhidas e que estiveram patentes na exposição.

19/04/10

O sino manuelino da Igreja

Na torre da igreja da Glória, encontra-se o sino, que ao longo dos séculos deu as horas a esta comunidade.
Este sino é uma preciosidade do estilo manuelino.
Este estilo artístico, surge no reinado de D. Manuel I e é caracterizado por ser uma variação portuguesa do gótico final, marcada por uma sistematização de motivos iconográficos próprios simbolizando o poder régio.
Um dos elementos identificativos deste estilo é o aparecimento da esfera armilar, cujo significado representa o mundo que os navegadores portugueses descobriram nos séculos XV e XVI e os povos com quem trocaram ideias e comércio.
Neste sino, são bem visíveis a esfera armilar, o brasão de armas de D. Manuel I e por cima a inscrição “Santa Maria”, alusão ao orago da igreja.
Para além de vestígios medievais (pedra da era, brasão de D. Pedro I e escultura do felino que atacou o monarca), destaca-se também a existência deste vestígio que dá um novo enquadramento histórico a este templo.






17/02/10

Carroça no Poço da Roda


Finalmente! ! Após alguns anos de interregno o poço da roda (lugar mítico ocupado por zeladores) tem novamente 1 carroça.
Durante décadas por altura do carnaval no poço da roda estava sempre 1 carroça.
Na minha juventude cheguei a participar neste “furto” da carroça, era uma missão arriscada.
A Glória no passado teve sempre muitas carroças, os “sarrapatelos” era o local onde por norma este furto acontecia. Pela madrugada com a colaboração de vários colegas tínhamos a missão de tirar 1 carroça e leva-la para o poço da roda.
No outro dia, o respectivo dono da carroça era obrigado a ir busca-la ao poço, fazia-se acompanhar pelo macho ou mula, colocava o cabresto no bicho engatava a carroça e desdenhava algumas palavras nada agradáveis à assistência que jubilava em riso com a situação caricata.
Este ano em vésperas de carnaval, apesar de escassearem as carroças e as respectivas bestas (leia-se de 4 patas) a tradição voltou a ser vincada e no poço da roda lá esta a carroça.
Veremos o que os zeladores dizem!!!!

15/02/10

Ofertas de namorado



Porque hoje é dia dos namorados,
Hoje falarei sobre os lenços de namorados, que eram a mais singela e significativa declaração de amor entre um rapaz e uma rapariga gloriana.
A origem dos lenços de namorado estão intimamente ligados aos lenços senhoriais do Séc. XVII e XVII, que posteriormente foram adaptados pelas mulheres do povo, que lhes conferiram características de índole popular.
Os lenços de namorados constituíam a dado momento uma prova de declaração feita pela bordadeira ao seu namorado, e na maior parte dos casos esta declaração era atendida, e o conversado comprometia-se também publicamente nesta ligação, usando o lenço ao pescoço com o nó voltado para a frente, ou no seu casaco domingueiro, com as pontas muito de fora.
Para entender a confecção do lenço de namorado, é necessário recuar no tempo, e caracterizar o início dos namoros que ocorriam nos bailes de sábado à noite ao som da concertina, e considerar os aspectos económicos desta sociedade e a influência que teve nos lenços de namorado.
Os namoros eram arranjados - como o povo dizia nos bailes. Segundo o relato de Alves Redol, procediam da seguinte maneira: “A concertina arfa na vertigem de uma moda. As raparigas a um lado por “mocidades” - assim dizem às idades -, os rapazes a outro. E ele vai tirá-la.
Os passos e os rodares saem-lhe incertos, desastrados. Chocam-se com os outros e à sua volta há mais poeira - pois se lá dentro lhes vai um calor....
o demónio do colarinho naquele dia parece apertado como mão a esganá-lo. E por mais voltas que lhe dê, parece o maldito que mais afoga.
- Ó Eugénia !...
E lá vão, como aziela, aquelas palavras simples, tão sinceras, que só o povo sabe adoptar no seu trato expressivo.
- Queria-te pra mulher, s'a gente s'entendesse..”
Depois desta declaração ela começava então a bordar o lenço de namorado para o rapaz. As inclinações amorosas iniciadas pelos lenços de namorado, eram expressas de acordo com um código de conduta social permitido pela comunidade em que se inseriam e por todos aceites.
Quando o rapaz aceitava o lenço da sua amada e o exibia em público, desvendava aos olhos de toda comunidade o seu estado de comprometido. Os lenços de namorado, funcionavam como uma “escritura pré-nupcial”.


06/01/10

Noticias da Glória - Imprensa

1.º Festival do Rancho Folclórico da Casa do Povo

Crónica sobre a elevação da Glória a Freguesia

Sport Club Desportos da Glória do Ribatejo


A doença de Salazar e o povo da Glória


Fonte: Jornal Aurora do Ribatejo

24/12/09

07/12/09

Exposição "As Festas da Glória" II





Exposição "As Festas da Glória"






Este ano (2009) a Associação para a Defesa do Património Etnográfico e Cultural da Glória do Ribatejo escolheu como tema da sua exposição anual - As Festas da Glória.
Esta exposição estará patente no Museu Etnográfico até Maio de 2010.
Aqui ficam alguns registos fotográficos.

02/12/09

Toucas de Infância

"Encasalar" a touca de infância, era uma tarefa desenvolvida pela mulher gloriana que consistia em refazer os folhos que adornavam a touca. Para facilitar a tarefa, por vezes molhava-se os folhos, o que lhe dava uma maior maneabilidade para os dobrar. As mãos que vimos neste video são da minha tia Rosa. Este video foi feito para a exposição 2008 - "Artes do dedal e da agulha na Glória do Ribatejo"

30/11/09

Poço da Roda


O Poço da Roda é sem dúvida um ex-libris do centro da Glória do Ribatejo. Por aqui encontram-se zeladores que vão filosofando sobre a vida da comunidade, falam de tudo e de todos.
Para evitar que sejam esquecidos e que eventualmente possam reclamar a sua existência...., aqui fica uma foto da roda que outrora estava na fonte, espaço que tanto veneram.
Um reparo.... para quanto a aquisição de uma roda para este local??????

21/11/09

Os “Zeladores” do Poço da Roda II




Os “Zeladores” do Poço da Roda





À tarde chegam tal qual bando de pardais à solta, procuram o melhor sítio e sentam-se. Observam e iniciam a sua tarefa diária: ver/falar/filosofar/dissertar/ “morder”/maldizer/bem-dizer e tagarelar.
Aqui no poço da roda, falam-se de assuntos tão díspares como o aquecimento global, o significado da vida, a politica nacional e local, até a assuntos mais mundanos como a plantação das batatas, o marco da estrema da propriedade da Jordana, as azeitonas que foram apanhadas ou até da poda das amoreiras do centro da Vila.
Antes do sol-posto eles partem, amanhã certamente voltam novamente ao poço, é assim a vida dos nossos “zeladores”.