15/09/10
Inauguração da Exposição
Recolha de carroças - Exposição
A Exposição “as últimas carroças da Glória”, para além das habituais recolhas de fotografias e objectos relacionados com o tema, este ano a Associação para Defesa do Património Etnográfico e Cultural da Glória, procedeu também a recolha de 21 carroças, sendo que 5 delas ainda estavam em actividade.
As carroças foram expostas no terreno do Ti Benjamim (obrigado desde já a todos os herdeiros que concordaram com a cedência), e estava a ser projectado numa parede um vídeo com os proprietários da últimas carroças
15/08/10
Cartaz Exposição 2010
07/08/10
Exposição "As últimas carroças" - recolhas
A Associação para a Defesa do Património Etnográfico e Cultural da Glória do Ribatejo, encontra-se a preparar a sua exposição temático.
Ficam alguns registos fotográficos recolhidos junto da comunidade local.
21/06/10
Exposição "As últimas carroças da Glória"
“As últimas carroças da Glória do Ribatejo”
A agricultura e a pastorícia foram no passado as duas grandes formas de subsistência da Glória do Ribatejo. Em finais do séc. XIX inícios do séc. XX, efectuaram-se os aforamentos organizados pela Junta de Paróquia de Muge, e nos quais muitos glorianos adquiriram parcelas de terrenos, conseguindo desta forma terra para desenvolverem uma pequena agricultura de subsistência, essencial para a sobrevivência do seu dia-a-dia.
Numa sociedade profundamente rural, onde a mecanização ainda não tinha chegado aos campos, os trabalhos agrícolas eram realizados pela força animal. Os cingeleiros, assim designados por possuírem uma junta de bois e o respectivo carro, que os auxiliava não só na lavoura da terra, mas também no transporte de mercadorias. Há relatos de cingeleiros glorianos que iam buscar cortiça ao Alentejo, e que depois a descarregava no Cais da Vala de Salvaterra de Magos e daqui seguiam em varinos ou botes até à fábrica da Mundet no Seixal.
Em meados da década de ’80, com o acentuado desaparecimento dos cingeleiros e dos seus carros de bois, continuava-se a praticar uma agricultura exercida pela força animal: muares e asininos ajudavam nos mais diversos trabalhos agrícolas.
Num espaço temporal não muito distante, encontrávamos sistematicamente inúmeras carroças em direcção ao “foro” (deturpação do termo aforamento), hoje em dia já não é assim muito usual ver ou encontrar na charneca da Glória do Ribatejo carroças..png)
A Associação para a Defesa do Património Etnográfico e Cultural da Glória do Ribatejo, ciente da perda deste património, decidiu fazer a sua exposição anual temática dedicada precisamente às últimas carroças que ainda hoje estão em actividade na Glória do Ribatejo.
Rodando pacientemente pelos campos, os animais pareciam conhecer de cor o caminho para levar os seus donos às fazendas. Chegados ao local, seguia-se o ritual de desengatar o animal e deixa-lo “espojar” ou seja deixar o animal rebolar no chão, descarregava-se a carroça, preparava-se a charrua e iniciava-se a lavra ou gradar da terra.
Os animais eram guardados num palheiro, a sua frente estava a manjedoura, por parte dos donos dos animais havia sempre um especial cuidado com o animal, alguns eram baptizados de Gabriela ou Tiéta (influência das telenovelas brasileiras). A partir de Março, começavam a chegar alguns ciganos à Glória do Ribatejo, que tosquiavam os animais. Outro cuidado a ter era com os cascos dos bichos, o Ti Joaquim “Ferrador” tratava desta função, colocando novas ferraduras.
Há prodigiosas histórias envolvendo os animais e os seus proprietários, como era o caso dos animais que vinham sozinhos a puxar a carroça até casa, porque o seu dono estava alegremente alterado pelo consumo do vinho e dormia na carroça, contudo o animal sabia da sua função e pachorrentamente seguia o seu caminho sem indicações do seu dono até chegar a casa, ou aquela história de animais pararem em frente às tabernas sem que o seu dono fizesse alguma indicação, pois já era uma praxe interiorizado pelo animais, há alias animais que conheciam todas as tabernas porque paravam em todas.
Recordemos também com saudade as célebres verdascadas com um “fueiro” do Ti Zé da Vala ao seu burro, sempre que este não queria andar, ou ainda o Ti Silvestre “Quarta-Feira” e o seu burro de nome “Jorge”, que acompanhou um sem número de desfiles de carnaval..png)
Perdida a funcionalidade da carroça em detrimento do tractor que surge timidamente em meados década de 80, e que se afirma pujantemente na década de 90 e no inicio do século. Com o desaparecimento destes veículos de tracção animal, extinguem-se também vocábulos próprios e expressões, como por exemplo: - pôr o cabresto e engatar á carroça; - dar água ao animal, não te esqueças de assobiar para que ela bebe a água toda - espojar o animal; - pró rêgo macho, atão não querem lá ver o bicho….
Um dia os animais vencidos pela idade, são fechados no palheiro à espera que chegue uma camioneta que o leva, segundo se dizia era para dar de comer aos animais do Jardim Zoológico, este era um dia difícil de esconder sentimentos…
O palheiro abandonado dá lugar a um espaço para arrumos, e a carroça debaixo de algum telheiro apodrece lentamente corroída pelas amarguras do tempo.
A exposição “As últimas carroças da Glória do Ribatejo”, pretende assegurar às gerações futuras (que certamente não deverá conhecer nos campos uma carroça) um acervo documental composto por objectos, videos fotografias e “histórias de vida” (testemunhos próprios), por forma a conhecer esta vertente histórica e antropológica da Glória do Ribatejo, pois vivemos numa época em que a sociedade se torna cada vez mais global, quer nos aspectos culturais, económicos, sociais e até mesmo políticos, por isso torna-se premente que a nossa identidade cultural não se perca.
A agricultura e a pastorícia foram no passado as duas grandes formas de subsistência da Glória do Ribatejo. Em finais do séc. XIX inícios do séc. XX, efectuaram-se os aforamentos organizados pela Junta de Paróquia de Muge, e nos quais muitos glorianos adquiriram parcelas de terrenos, conseguindo desta forma terra para desenvolverem uma pequena agricultura de subsistência, essencial para a sobrevivência do seu dia-a-dia.
Numa sociedade profundamente rural, onde a mecanização ainda não tinha chegado aos campos, os trabalhos agrícolas eram realizados pela força animal. Os cingeleiros, assim designados por possuírem uma junta de bois e o respectivo carro, que os auxiliava não só na lavoura da terra, mas também no transporte de mercadorias. Há relatos de cingeleiros glorianos que iam buscar cortiça ao Alentejo, e que depois a descarregava no Cais da Vala de Salvaterra de Magos e daqui seguiam em varinos ou botes até à fábrica da Mundet no Seixal.
Em meados da década de ’80, com o acentuado desaparecimento dos cingeleiros e dos seus carros de bois, continuava-se a praticar uma agricultura exercida pela força animal: muares e asininos ajudavam nos mais diversos trabalhos agrícolas.
Num espaço temporal não muito distante, encontrávamos sistematicamente inúmeras carroças em direcção ao “foro” (deturpação do termo aforamento), hoje em dia já não é assim muito usual ver ou encontrar na charneca da Glória do Ribatejo carroças.
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A Associação para a Defesa do Património Etnográfico e Cultural da Glória do Ribatejo, ciente da perda deste património, decidiu fazer a sua exposição anual temática dedicada precisamente às últimas carroças que ainda hoje estão em actividade na Glória do Ribatejo.
Rodando pacientemente pelos campos, os animais pareciam conhecer de cor o caminho para levar os seus donos às fazendas. Chegados ao local, seguia-se o ritual de desengatar o animal e deixa-lo “espojar” ou seja deixar o animal rebolar no chão, descarregava-se a carroça, preparava-se a charrua e iniciava-se a lavra ou gradar da terra.
Os animais eram guardados num palheiro, a sua frente estava a manjedoura, por parte dos donos dos animais havia sempre um especial cuidado com o animal, alguns eram baptizados de Gabriela ou Tiéta (influência das telenovelas brasileiras). A partir de Março, começavam a chegar alguns ciganos à Glória do Ribatejo, que tosquiavam os animais. Outro cuidado a ter era com os cascos dos bichos, o Ti Joaquim “Ferrador” tratava desta função, colocando novas ferraduras.
Há prodigiosas histórias envolvendo os animais e os seus proprietários, como era o caso dos animais que vinham sozinhos a puxar a carroça até casa, porque o seu dono estava alegremente alterado pelo consumo do vinho e dormia na carroça, contudo o animal sabia da sua função e pachorrentamente seguia o seu caminho sem indicações do seu dono até chegar a casa, ou aquela história de animais pararem em frente às tabernas sem que o seu dono fizesse alguma indicação, pois já era uma praxe interiorizado pelo animais, há alias animais que conheciam todas as tabernas porque paravam em todas.Recordemos também com saudade as célebres verdascadas com um “fueiro” do Ti Zé da Vala ao seu burro, sempre que este não queria andar, ou ainda o Ti Silvestre “Quarta-Feira” e o seu burro de nome “Jorge”, que acompanhou um sem número de desfiles de carnaval.
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Perdida a funcionalidade da carroça em detrimento do tractor que surge timidamente em meados década de 80, e que se afirma pujantemente na década de 90 e no inicio do século. Com o desaparecimento destes veículos de tracção animal, extinguem-se também vocábulos próprios e expressões, como por exemplo: - pôr o cabresto e engatar á carroça; - dar água ao animal, não te esqueças de assobiar para que ela bebe a água toda - espojar o animal; - pró rêgo macho, atão não querem lá ver o bicho….
Um dia os animais vencidos pela idade, são fechados no palheiro à espera que chegue uma camioneta que o leva, segundo se dizia era para dar de comer aos animais do Jardim Zoológico, este era um dia difícil de esconder sentimentos…
O palheiro abandonado dá lugar a um espaço para arrumos, e a carroça debaixo de algum telheiro apodrece lentamente corroída pelas amarguras do tempo.
A exposição “As últimas carroças da Glória do Ribatejo”, pretende assegurar às gerações futuras (que certamente não deverá conhecer nos campos uma carroça) um acervo documental composto por objectos, videos fotografias e “histórias de vida” (testemunhos próprios), por forma a conhecer esta vertente histórica e antropológica da Glória do Ribatejo, pois vivemos numa época em que a sociedade se torna cada vez mais global, quer nos aspectos culturais, económicos, sociais e até mesmo políticos, por isso torna-se premente que a nossa identidade cultural não se perca.
14/06/10
Exposição "As últimas carroças da Glória do Ribatejo"

A Associação para a Defesa do Património Etnográfico e Cultural da Glória do Ribatejo (ADPEC), encontra-se a trabalhar na preparação da sua exposição anual.
O tema este ano é dedicado às últimas carroças da Glória do Ribatejo, actualmente existem cerca de 8 a 9 carroças.
Esta exposição tem como objectivos dar a conhecer este veículo de tracção animal e todo um conjunto de aspectos etnográficos e antropológicos associados ao uso das carroças.
A ADPEC solicita a colaboração de todos com a cedência de objectos ou fotografias associados a este tema. Enviar colaboração para: agloriadomundo@sapo.pt ou robertocaneira@hotmail.com
Exposição As Festas
19/04/10
O sino manuelino da Igreja
Na torre da igreja da Glória, encontra-se o sino, que ao longo dos séculos deu as horas a esta comunidade.
Este sino é uma preciosidade do estilo manuelino.
Este estilo artístico, surge no reinado de D. Manuel I e é caracterizado por ser uma variação portuguesa do gótico final, marcada por uma sistematização de motivos iconográficos próprios simbolizando o poder régio.
Um dos elementos identificativos deste estilo é o aparecimento da esfera armilar, cujo significado representa o mundo que os navegadores portugueses descobriram nos séculos XV e XVI e os povos com quem trocaram ideias e comércio.
Neste sino, são bem visíveis a esfera armilar, o brasão de armas de D. Manuel I e por cima a inscrição “Santa Maria”, alusão ao orago da igreja.
Para além de vestígios medievais (pedra da era, brasão de D. Pedro I e escultura do felino que atacou o monarca), destaca-se também a existência deste vestígio que dá um novo enquadramento histórico a este templo.



Este sino é uma preciosidade do estilo manuelino.
Este estilo artístico, surge no reinado de D. Manuel I e é caracterizado por ser uma variação portuguesa do gótico final, marcada por uma sistematização de motivos iconográficos próprios simbolizando o poder régio.
Um dos elementos identificativos deste estilo é o aparecimento da esfera armilar, cujo significado representa o mundo que os navegadores portugueses descobriram nos séculos XV e XVI e os povos com quem trocaram ideias e comércio.
Neste sino, são bem visíveis a esfera armilar, o brasão de armas de D. Manuel I e por cima a inscrição “Santa Maria”, alusão ao orago da igreja.
Para além de vestígios medievais (pedra da era, brasão de D. Pedro I e escultura do felino que atacou o monarca), destaca-se também a existência deste vestígio que dá um novo enquadramento histórico a este templo.
17/02/10
Carroça no Poço da Roda

Finalmente! ! Após alguns anos de interregno o poço da roda (lugar mítico ocupado por zeladores) tem novamente 1 carroça.
Durante décadas por altura do carnaval no poço da roda estava sempre 1 carroça.
Na minha juventude cheguei a participar neste “furto” da carroça, era uma missão arriscada.
A Glória no passado teve sempre muitas carroças, os “sarrapatelos” era o local onde por norma este furto acontecia. Pela madrugada com a colaboração de vários colegas tínhamos a missão de tirar 1 carroça e leva-la para o poço da roda.
No outro dia, o respectivo dono da carroça era obrigado a ir busca-la ao poço, fazia-se acompanhar pelo macho ou mula, colocava o cabresto no bicho engatava a carroça e desdenhava algumas palavras nada agradáveis à assistência que jubilava em riso com a situação caricata.
Este ano em vésperas de carnaval, apesar de escassearem as carroças e as respectivas bestas (leia-se de 4 patas) a tradição voltou a ser vincada e no poço da roda lá esta a carroça.
Veremos o que os zeladores dizem!!!!
15/02/10
Ofertas de namorado
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Porque hoje é dia dos namorados,
Hoje falarei sobre os lenços de namorados, que eram a mais singela e significativa declaração de amor entre um rapaz e uma rapariga gloriana.
A origem dos lenços de namorado estão intimamente ligados aos lenços senhoriais do Séc. XVII e XVII, que posteriormente foram adaptados pelas mulheres do povo, que lhes conferiram características de índole popular.
Os lenços de namorados constituíam a dado momento uma prova de declaração feita pela bordadeira ao seu namorado, e na maior parte dos casos esta declaração era atendida, e o conversado comprometia-se também publicamente nesta ligação, usando o lenço ao pescoço com o nó voltado para a frente, ou no seu casaco domingueiro, com as pontas muito de fora.
Para entender a confecção do lenço de namorado, é necessário recuar no tempo, e caracterizar o início dos namoros que ocorriam nos bailes de sábado à noite ao som da concertina, e considerar os aspectos económicos desta sociedade e a influência que teve nos lenços de namorado.
Os namoros eram arranjados - como o povo dizia nos bailes. Segundo o relato de Alves Redol, procediam da seguinte maneira: “A concertina arfa na vertigem de uma moda. As raparigas a um lado por “mocidades” - assim dizem às idades -, os rapazes a outro. E ele vai tirá-la.
Os passos e os rodares saem-lhe incertos, desastrados. Chocam-se com os outros e à sua volta há mais poeira - pois se lá dentro lhes vai um calor....
o demónio do colarinho naquele dia parece apertado como mão a esganá-lo. E por mais voltas que lhe dê, parece o maldito que mais afoga.
- Ó Eugénia !...
E lá vão, como aziela, aquelas palavras simples, tão sinceras, que só o povo sabe adoptar no seu trato expressivo.
- Queria-te pra mulher, s'a gente s'entendesse..”
Depois desta declaração ela começava então a bordar o lenço de namorado para o rapaz. As inclinações amorosas iniciadas pelos lenços de namorado, eram expressas de acordo com um código de conduta social permitido pela comunidade em que se inseriam e por todos aceites.
Quando o rapaz aceitava o lenço da sua amada e o exibia em público, desvendava aos olhos de toda comunidade o seu estado de comprometido. Os lenços de namorado, funcionavam como uma “escritura pré-nupcial”.

06/01/10
Noticias da Glória - Imprensa
24/12/09
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