19/05/13

Painel A apanha do tomate


A apanha do tomate também é abordado na exposição.
Trata-se de um tipo de trabalho que mobilizava grande mão-de-obra gloriana, nomeadamente mulheres e alguns jovens que aproveitavam as férias do Verão, para “trabalhar à caixa” e assim amealhar algum dinheiro. Era trabalho feito manualmente que exigia grande esforço, contudo a partir de meados da década de 90, a mecanização da apanha do tomate, vai reduzir drasticamente os ranchos de mulheres.





 

15/05/13

4.º Painel – O ciclo do arroz. A Glória do Ribatejo e o Júlio Pomar





 

Na década de 50 vários artistas e intelectuais neo-realistas, guiados por Alves Redol visitaram as lezírias ribatejanas, para observar os trabalhos nos arrozais. Esta experiência artística ficou conhecida como “O Ciclo do Arroz”, na qual participaram Alves Redol, Júlio Pomar, Cipriano Dourado entre outros.

Nestes arrozais encontravam-se trabalhadores glorianos que inspiraram o artista Júlio Pomar, que realizou várias pinturas tendo como base as glorianas que estavam nos arrozais.

As fotografias tiradas nesta altura e que serviram de apoio e inspiração a Júlio Pomar, atestam que são trabalhadores da Glória do Ribatejo.

3.º Painel – Os ranchos de trabalho


Grupo de mulheres com enormes sacos que continham o avio para as semanas de trabalho e homens com os alforges ao ombro, amotinavam-se no centro da Glória, e partiam a pé para os campos dos grandes proprietários agrícolas, que ficavam localizados na lezíria de Vila Franca de Xira, Almeirim, Foros de Benfica, entre outros locais.

A aldeia nesta altura ficava com uma aparência estranha de quase abandono, apenas ficavam os idosos já gastos para o trabalho, crianças de terna idade que ainda não tinham idade nem corpo para trabalharem, e os cingeleiros que constituíam uma classe à parte, com as suas juntas de bois trabalhavam para si.

Durante a sua estadia fora da terra ficavam alojados num quartel para trabalharem do nascer ao pôr-do-sol. A grande exigência dos ranchos da Glória era terem um quartel separado dos outros ranchos.

Quando ficavam nos campos, o único contacto que tinham com a Glória do Ribatejo, era feito por mantieiras. Eram mulheres destacadas para virem à Glória, cuja missão consistia em entregar a “jorna” aos familiares e “aviar o farnel” para levar. Na volta levavam também notícias dos familiares e uma ou outra novidade que tinham ocorrido na sua ausência.



                                          Rancho do Ti Xandrão
Rancho do Lopes e Lima

14/05/13

2.º Painel – A apanha de trabalho


A apanha do trabalho, fazia-se na Praça (actual Largo 29 de Agosto). Grupo de mulheres e homens e por vezes crianças, esperavam pelos capatazes dos grandes proprietários, que apresentavam as condições de trabalho, em que os primeiros, ofereciam a sua força de trabalho, e os segundos pagavam-lhes o salário ou jorna. Trata-se de um sistema com algumas reminiscências do feudalismo medieval.


                                   A praça e a apanha do trabalho

Muitos não concordavam com o preço, mas a falta de trabalho obrigava-os a deixarem a Glória e a partir para os campos para trabalhar do nascer ao pôr-do-sol.
A celebração deste contrato de trabalho era feita de forma verbal e selava-se com uma molhadura, para os homens vinho e para as mulheres linhas de várias cores para bordarem.



                             Homens nas "molhaduras", junto de antigas tabernas

1.º Painel – A Glória do Ribatejo e a agricultura


O painel que inaugura a sequência da exposição, trata a questão da relação da terra e dos glorianos, onde merece destaque a outorga da carta de privilégios do rei D. Pedro aos moradores de Santa Maria da Glória:

«Constituíram-se então as primeiras cabanas com a madeira colhida nas matas e com os arbustos lenhosos da charneca, lavrando-se ao longo dos tempos, as primeiras jugadas (…). A facilidade de captação de água e a abundância de pastagens primitivas atraíram os íncolas, que viviam nas proximidades entregues à pastorícia como se infere.»(Margarida Ribeiros, Estudos sobre Glória do Ribatejo, Cadernos Culturais n. 3, Glória do Ribatejo, Associação para a Defesa do Património Etnográfico e Cultural da Glória do Ribatejo, 2001, p. 49)

 
                             Carta de Privilégios doada aos moradores de Santa Maria da Glória
                                      Processo dos Baldios da Glória, realizados em finais do séc. XIX
 
A carta de privilégios concedida aos moradores de Santa Maria da Glória potenciou o desenvolvimento agrícola, assim como a exploração dos recursos naturais existentes, como a lenha, a cortiça, o mel ou a caça. Trata-se de uma agricultura apenas de subsistência.

Outro assunto abordado trata a questão dos aforamentos. Em meados do séc. XIX a Junta de Paróquia de Muge, iniciou o processo de aforamentos dos baldios. Era nestes terrenos que os glorianos pastavam livremente os seus gados, o que os levou a amotinarem-se contra estes aforamentos:

                                   Mapa com os terrenos para aforamento
Apesar da redução drástica dos baldios para pastarem os seus gados, os aforamentos trouxeram melhorias aos moradores da Glória. Graças a este sistema de enfiteuse, muitos conseguiram comprar pequenos “foros”, que foram profusamente cultivados, com produtos usados no dia-a-dia para a sua subsistência. Alguns “foros” tornaram-se fonte de rendimentos nomeadamente as parcelas de terreno que tinham sobreiros e o consequente lucro da venda da cortiça.

13/05/13

Registos fotograficos da exposição "O trabalho de farnel aviado"


Inaugurada em Agosto 2012, a exposição “O trabalho de farnel aviado” encontra-se a terminar o seu ciclo expositivo, no próximo mês de Junho, vai proceder à sua desmontagem e à entrega dos vários objectos que forma gentilmente cedidos para o efeito.

Ficam alguns registos fotográficos da inauguração e dos diferentes painéis que constituem a exposição.

                                          Início da exposição


                                  Painel "apanha de Trabalho"
                                                             
                          Painel "O tomate a vindima"


                     Uma mesa improvisada e respectivo almoço



                 Um "cambariche" para fazer as refeições
                                                         

                           Painel "Os arrozais"
                                                                     

 

24/08/12

Convite

É já este sábado (25 de Agosto) pelas 17h30m, no Museu Etnográfico.
Apareçam.

20/08/12

Exposição "O trabalho de farnel aviado"


EXPOSIÇÃO "O TRABALHO DE FARNEL AVIADO"




A Glória do Ribatejo teve na agricultura o seu grande meio de subsistência. Sem grandes lavradores e casas agrícolas na comunidade, muitos glorianos eram obrigados a procurar trabalho para os proprietários agrícolas da região: Casa Cadaval; Prudêncio da Silva, Liques, Oliveira e Sousa entre muitos outros.
Estes lavradores detinham grandes extensões de terrenos nas lezírias de Vila Franca de Xira, Benfica do Ribatejo ou Almeirim, obrigando desta forma os ranchos glorianos a trabalharem nestes locais, e a ficarem fora da Glória do Ribatejo durante 15 dias ou mais tempo. Este tipo de trabalho era designado de «farnel aviado», nome que provém dos grandes sacos (farnel) que levavam os mantimentos essenciais (o avio) para as suas longas estadias nos campos.
A apanha do trabalho ocorria nas praças de jorna. As praças da jorna consistiam numa espécie de “mercado” de mão-de-obra onde se encontravam os trabalhadores rurais e os capatazes dos grandes proprietários agrícolas. Os primeiros vendiam a sua força de trabalho aos capatazes que lhe ofereciam a jorna como forma de pagamento, num sistema organizativo quase feudal.
A celebração deste contrato era feita de forma verbal e selava-se com uma molhadura, para os homens vinho e para as mulheres linhas de várias cores para bordarem.
Ranchos de homens de alforges aos ombros e mulheres com farnéis à cabeça ou à ilharga partiam a pé para os campos, percorrendo cerca de 20 a 30km. A aldeia nesta altura ficava com uma aparência estranha de quase abandono, apenas ficavam os idosos já gastos para o trabalho, crianças de tenra idade que ainda não tinham idade nem corpo para trabalharem.
Durante a sua estadia fora da terra ficavam alojados num quartel para trabalharem do nascer ao pôr-do-sol. A grande exigência dos ranchos da Glória era terem um quartel separado dos outros ranchos de trabalhadores.
Nas décadas de 60 e 70 com as alterações sociais, económicas e políticas ocorridas na sociedade portuguesa alteraram por completo o sector agrícola. As praças da jorna desaparecem, os grandes ranchos da Glória que ficavam semanas fora, também acabam. Agora deslocam-se para o trabalho em camionetas ou tractores e regressam diariamente a casa.
Nestas décadas é introduzida um novo produto agrícola no Ribatejo, o tomate, que mobilizou mão-de-obra das mulheres glorianas. Era um trabalho esgotante e cansativo, as mulheres vergadas sob o sol escaldante de Agosto apanhavam e carregavam à cabeça canecos e grades cheias de tomate.
Na década de 90, a mecanização da apanha do tomate reduziu os grandes ranchos de mulheres glorianas, que logo pela manhã cedo partiam para os campos. Com a mecanização também se assistiu ao fim da animação alegre das vozes das mulheres, agora o único barulho que se ouve era o som mecânico das máquinas que entoava pelos campos.
Esta exposição para além do teor didáctico e identitário, na medida que coloca à disposição do público objectos, fotografias e histórias de vida destes tempos, revela-nos também as condições quase sobre humanas que muitos trabalhadores glorianos tiveram que passar para sobreviver e das inúmeras dificuldades que sentiram quando não havia trabalho e não havia pão na mesa.


23/06/12

Exposição "O trabalho de farnel aviado"


No final do mês de Junho a exposição “ADPEC – 25 anos” após 10 meses de exibição ao público será desmontada. A ADPEC encontra-se já a preparar a nova exposição anual.

                                          Rancho do Lopes e Lima 


                                          Rancho do Zé Miúdo

Este ano a exposição tem como tema “O trabalho de farnel aviado”.
A ADPEC solicita a todos que possuem fotografias ou objectos que  possam contribuir com a cedência dos mesmos.

21/06/12

Museu Casa Tradicional






Recolha fotográfica da casa tradicional antes de se tornar um núcleo museológico da Associação para a Defesa do Património Etnográfico e Cultural da Glória do Ribatejo.

As primeiras exposições da ADPEC


1 - Exposição - ano 1987
2 - Exposição "Alves Redol" - ano 1988

 3 - Exposição "Casa Tradicional" - ano 1989

20/06/12

Constituição da ADPEC




Os primeiros tempo da ADPEC. O documento do cartório notorial de Salvaterra de Magos em que a ADPEC foi registada e a assinatura de alguns membros fundadores.

12/06/12

Exposição ADPEC 25 anos


A exposição ADPEC 25 anos, está a chegar ao fim. No final deste mês de Junho será desmontada e substituída por uma nova exposição temática.

Aqui ficam alguns registos fotográficos desta exposição.

15/04/12

Doação de Celestino Silva


A Associação para a Defesa do Património Etnográfico e Cultural da Glória do Ribatejo, recebeu hoje do Celestino Silva, um importante legado que dignifica e enobrece a cultura gloriana, trata-se das filmagens que Celestino efectuou nas décadas de 70 e 80 sobre vários aspectos vivenciais e culturais da Glória do Ribatejo.

Este espólio está guardado em suporte digital, um disco rígido que contém 168 vídeos. A oferta, para além de aumentar e enriquecer o espólio museológico da ADPEC, vai permitir a salvaguarda da identidade e memória colectiva da história e etnografia gloriana.

Quero agradecer em nome da ADPEC publicamente esta importante doação.

Roberto Caneira