28/04/06

O CICLO DO PÃO V



Na arquitectura popular gloriana, encontrámos 2 tipos de fornos de cozer pão.
Um forno que ficava junto às paredes das traseiras das habitações e um outro tipo de forno que se encontrava um pouco mais isolado das habitações.
Aqui estão representados em fotografias os 2 exemplos referidos.

26/04/06

O CICLO DO PÃO IV


Na Glória do Ribatejo, existiu em tempos um forno comunitário, que era da Ti Teresa.
Como nem todas as pessoas tinham possibilidades de construir um forno, era aqui que cosiam o seu pão.
Como forma de pagamento entregavam no final um pão à proprietária ( Ti Teresa).
O forno foi destruida em data incerta, hoje apenas perdura a toponímia da Travessa do Forno, no local onde se encontrava este forno.
Cometários para: agloriadomundo@sapo.pt

21/04/06

O CICLO DO PÃO III

O pão “é o singelo alimento, feito de farinha amassado em água cozida no forno, remonta entre muito dos povos s terra, à mais longínqua antiguidade. É o alimento básico em toda a história da economia doméstica do homem – o pão nosso de cada dia (...). Divinizado e sagrado, o pão transfigura-se na substância simultaneamente corpórea e espiritual, do próprio Deus: o Senhor na noite em que foi entregue, tomou o pão, e dando graças, o partiu e disse “tomai e comei, isto é o meu corpo – aceipite et manducate, hor est corpus meum” (...).
Ainda hoje na Glória do Ribatejo, são várias as pessoas que possuem o seu próprio forno de cozer o pão, e que semanalmente tal como os seus antepassados continuam a cozer o seu pão.
Tal como nas várias localidades rurais, na Glória do Ribatejo, também existiu um forno comunitário, porque nem todas as pessoas tinham posses para construir um forno.
O forno comunitário pertenceu à Sr.ª Teresa, e funcionava da seguinte forma, as pessoas que pretendiam cozer pão, falavam com a proprietária, tinham que levar a lenha para o forno e a massa, como pagamento por utilização do forno, deixavam um ou dois pães à Sr.ª Teresa. Hoje nada resta deste forno comunitário, contudo sabemos a sua localização, através da toponímia – Travessa do Forno.
Cozer pão é uma tarefa essencialmente feminina, a mulher levanta-se muito cedo, para amassar a farinha de trigo, que tinha ido buscar à moagem, e é um processo muito cansativo e repetitivo, e composto por várias fases.
Em primeiro lugar a mulher juntava água quente à farinha num alguidar de barro (em tempos antigos fazia esta tarefa numa masseira feita de madeira), começava então a amassar, em seguida colocava o fermento no meio da massa, voltava novamente a amassar, repetindo este processo várias vezes até a massa ficar estaladiça.
Depois de verificar que a massa está boa, a mulher “benze o pão”, ou seja faz uma cruz na massa, e diz a seguintes palavras: “abençoado seja”, ou então “Deus te acrescente que é para muita gente”, e tapa-se a massa com uma saia, chama-se a isto “embrulhar o pão”, e aguarda-se cerca de uma hora, para que comece a fermentar.
Na fase seguinte a mulher, vai acender o forno, usando para o efeito lenha de sobreiro, segundo nos dizem é aquela que dá melhor fogo. Este processo demora cerca de uma hora e meia, até o forno ficar bem quente.
Passado uma hora a mulher, volta novamente ao alguidar da massa e começa a fazer pequena bolinhas de massa, e coloca-as num tabuleiro de madeira.
Quando o forno já está bem quente, a mulher com auxílio de um rodo começa a puxar as brasas para o boca do forno, e procede à sua limpeza, com um “barredoiro” (deturpação de varadouro), que são vários tecidos velhos, colocados na ponta de um pau, e que a mulher passa por água e leva ao forno para limpar o seu interior do forno.
Para saber se o forno, está quente lança um punhado de farinha para o seu interior, e verifica se esta fica escura, se escurecer pode começar a colocar o pão no forno.
Para colocar o pão no forno, a mulher usa uma pá de madeira, mas antes de o colocar no forno, dá um traço com uma faca na massa.
Passado uma hora o pão está pronto a ser retirado, e é colocado no tabuleiro, onde será guardado.


20/04/06

Moinhos e Moagens de Glória do Ribatejo - O ciclo do Pão II


A extinção dos moinhos devido a um tornado, originou o aparecimento de novos sistemas de moagem – as moagens mecanizadas.
Margarida Ribeiro refere que “existem actualmente 3 moagens dotadas de maquinaria moderna.
A mais antiga é a do Sr. Rocha, casado com uma senhora de Chaves e filho de um portuense.
Viu no estabelecimento de uma moagem mecânica, há 25 anos no período da última guerra, um meio de empregar os seus capitais e de alargar na sua qualidade de comerciante, o ramo dos seus negócios.
Como nada sabia da industria chamou um moageiro. Ali se empregaram alguns, no decorrer dos anos, sendo o que hoje trabalha, natural do Valão – Salvaterra de Magos. (...)
Em 1953, o Sr Inácio Pereira Caneira, natural da Glória do Ribatejo, verificando tal impotência, abandonou o seu moinho e construiu um edifício que promoveu com a maquinaria indispensável, a fim de prosseguir e dar maior incremento ao seu antigo ofício.
Nesta data trabalha com um moageiro de Coruche, que admitiu como empregado e que ali se fixou com a família”.
Por se ter arruinado o seu moinho, o Sr. Joaquim Rodrigues Cachulo, de 51 anos, natural de Benavente, casado com a Sr.ª Argentina, natural de Santo Estevão (Benavente), adoptou também a moagem mecânica.”
Mais uma vez através do apoio da população local, das várias recolhas orais efectuadas verifica-se que não existiram três moagens na Glória do Ribatejo, mas sim quatro moagens: do Sr. Inácio Caneira, Joaquim Rodrigues Cachulo, Sr. Rocha e a moagem que estranhamente não é mencionada pelo estudo da D. Margarida Ribeiro é a moagem do Sr. António Pote.
Em termos de arquitectura verifica-se que nos vários edifícios, há várias semelhanças, são edifícios de dois pisos, no rés-do-chão estava instalada a moagem e no primeiro andar ficava guardada a farinha moída.
Estas moagens tiveram um curto período de laboração, estima-se que funcionaram entre as décadas de 50 e 80, a última a funcionar foi a do Sr. Joaquim Cachulo, que ainda hoje continua a vender farinha, que não é moída na moagem porque esta foi desmontada, trata-se de farinha ensacada que um comerciante vai levar à moagem.
Foi na moagem do Sr. Cachulo, que recolhemos informações sobre o funcionamento das moagens mecânicas.
As moagens eram accionadas por correias que estavam ligadas a um motor a gasóleo, mais tarde adoptou-se o sistema eléctrico.

19/04/06

Moinhos e Moagens de Glória do Ribatejo (O Ciclo do Pão)


Os moinhos na Glória do Ribatejo *

A Glória do Ribatejo, pelas seus condicionalismos geográficos, onde se destacam várias elevações, possibilitou a instalação de moinhos de ventos.
Segundo um estudo efectuado por Margarida Ribeiro “em 1941, existiam 4 moinhos, dos quais restam apenas ruínas e vestígios de outro, respectivamente no Cabeço do Moinho e no Cabeço do Ti Caldeireiro. Pertenceram aos Srs. Custódio Alexandre, já falecido, Inácio Caneira, Joaquim Luís Fernandes, que o negociou quando se sentiu velho para o ofício, com o Sr. Rodrigues Cachulo de Benavente, e Joaquim Rodrigues Cachulo”.
Os moinhos da Glória do Ribatejo são do tipo giratório, e “caracterizam-se fundamentalmente pelo seu sistema de rotação, em que é o edifício que roda na sua totalidade, e não apenas o tejadilho, como nos tipos fixos de torre, por isso, esse edifício é inteiramente de madeira (...). São casotas muito pequenas e rústicas, de formato prismático, de 6 faces desiguais, 4 maiores laterais, dispostas simetricamente 2 a 2 a cada lado de 2 estreitas, uma á frente, voltada ao vento, e outra atrás, onde fica a porta de entrada, e rodam em torno de um espigão excêntrico, cravado na sua base da frente, e apoiados sobre 2 rodas de madeira ou pedra, aplicadas atrás, a uma grade triangular em que assenta o soalho”.
Os moinhos existentes na Glória do Ribatejo, foram construídos no início do séc. XX, como afirma Redol, “foram edificados há cerca de 20 anos”.
Recorrendo à recolha oral junto da população local, ficámos a saber que os moinhos desapareceram na década de 50, o último a laborar foi o do Sr. Inácio Caneira, e que desapareceu devido a um “tornado que provocou a ruína de alguns moinhos, e activou a introdução das máquinas de moagem”.
Em termos de vestígios, os únicos que ainda demonstram a existência dos moinhos, é o caso do moinho do Sr. Joaquim Cachulo, que depois do desaparecimento do seu moinho, ainda instalou mais tarde um moinho do tipo americano, dos moinhos do Sr.s Custódio Alexandre e Joaquim Luís Fernandes já não se encontram vestígios, sendo que a localização do moinho do Sr. Joaquim Luís Fernandes ainda hoje mantém a toponímia onde o moinho estava, que é conhecida por estrada do moinho, finalmente o moinho do Sr. Inácio Caneira, é aquele onde ainda se encontram as mós, é a eira, feita de cimento por onde o moinho rodava em busca do melhor vento.
* Trabalho realizado na frequência do Mestrado de Museologia 2002/2003

À VINDA DO TRABALHO








A Casa Cadaval, era um dos grandes próprietários da região que absorvia grande parte da mão de obra dos glorianos.
Esta imagem mostra um tractor da Casa Cadaval, que veio levar as mulheres à Glória, após uma longo e duro dia de trabalho árduo.
Comentários para: agloriadomundo@sapo.pt

14/04/06

A VELHA GUARDA!


MOSTRA DE FOGO

No próximo sábado, ocorre a tradicional Mostra de Fogo no Largo D. Pedro I ("paito").
Esta iniciativa tem como principais objectivos mostrar à comunidade da Glória do Ribatejo, os"artistas" que vem actuar nas Festas em 2006, e quais os prémios que vão ser sorteados.
No domingo decorre um peditório, para auxiliar nos Festejos.
Comentários ou opiniões para: agloriadomundo@sapo.pt

10/04/06

Comentário do Toni

Continuam a chegar à nossa caixa de correio vários comentários sobre a existência deste blog. Agradecemos a todos e apela-se para continuarem a participar, para fazer deste espaço um lugar dinâmica e participativo.
Deixamos aqui o comentário do Toni:

"É só para te dar os parabéns pelo excelente trabalho que tens feito Roberto.
É com muito prazer e gosto que visito regularmente este blog e no qual ja aprendi tanto sobre os usos e custumes da nossa bela Glória do Ribatejo...
Também todos os meus amigos aos quais apresentei este blog ficam muito contentes por saber que a nossa Glória têm tanta História para partilhar!!!
Votos de continuação e no k precisares é só avisares...
abraço
António Fernandes (toni) "

08/04/06

Comentário da Guida

Registámos aqui com agrado, o comentário da Guida que se encontra na Holanda.
Apesar de distante a Guida mantem ligações à Glória através deste blog.
Um muito obrigado:

"parabens mais uma vez pelo teu trabalho,vai em frente.
É para quem vive longe uma maneira de estar perto da nossa aldeia.
cumprimentos ,
guida
holanda"

07/04/06

CONSTRUÇÃO DO POÇO















A água é o líquido fundamental para a sobrevivência humana, os gloriano desde muito cedo souberam tirar proveito dos lençóis freáticos que existiam nesta região, construindo furos artesianos (poços)
A construção dos poços de água eram feitos de uma maneira arcaica e simples, tendo por base um instrumento que se chama “sarilho”, que consiste numa espécie de roldanas que serviam para fazer descer um homem para o interior do poço, onde retirava a terra que depois era içada para o exterior através deste “sarilho”.
Por vezes os homens tinham que escavar poços até à profundidade de 35m a 50m, podemos imaginar o medo e o receio se houvesse um desmoronamento de terras, porque quando se abria o poço não havia nada a escorar/apoiar as paredes.
Aqui deixamos o registo fotográfico.


Comentários para aglóriadomundo@sapo.pt

TIRAR ÁGUA DO POÇO



Normalmente todas as casas glorianas possuíam no seu quintal um poço.
A água deste poço servia para saciar a sede, para a cozinha e também para a rega da horta.
Tirar água de um poço era portanto um hábito natural, que diariamente era feito pelos glorianos

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