31/01/06

NEVOU NA GLÓRIA DO RIBATEJO






No domingo passado nevou na Glória do Ribatejo.
Estranho fenómeno e nada habitual na charneca ribatejana.
Aqui fica o nosso registo de algumas fotos. Se alguém tiver fotos deste nevão e queira partilhar, é favor de enviar para: agloriadomundo@sapo.pt.

28/01/06

TRABALHO DE "FARNEL AVIADO"

No passado para ir trabalhar para os grandes proprietários agrícolas, a mulher gloriana percorria a pé muitos quilómetros, descalça ou de tamancos, carregando à cabeça o “talego” do jantar e sobre os ombros a saia de “costorina” que a protege das intempéries e lhe servia de manta nas longas noites passadas no “quartel”.
Chegada ao seu destino, várias tarefas, qual delas mais violenta a esperavam: ceifa, monda e apanha do arroz, descava da vinha, apanha da azeitona, a vindima....
Longe da sua casa, da sua família, trabalha de sol a sol, soltando na voz o que lhe ia na alma, ora em cantos dolentes, ora mais alegres consoante
as saudades que a invadia.
Unindo as vozes, os seus cantos elevavam-se no ar inundando as searas da lezíria.
À noite no “quartel”, as glorianas juntavam-se em grupos à volta da candeia, lavrando com as suas mãos calejadas, caprichosos e artísticos bordados, verdadeiras obras primas de artesanato.

20/01/06

A opinião de um antropólogo - Para ler e reflectir

“Nós portugueses, que estamos não nas vésperas, mas em plena fase de perdermos toda essa riqueza do passado.
E se não corrermos rapidamente a salvar o que resta, seremos amargamente acusados pelos vindouros pelo crime indesculpável de ter deixado perder o nosso património tradicional, dando mostras de absoluta incúria e ignorância” (Jorge Dias)

18/01/06

FONTE VELHA


A Fonte Velha, foi durante décadas um dos locais, onde os glorianos saciavam a sede.
Com excepção das pessoas que possuíam poços, a grande maioria das pessoas do centro da Glória, deslocavam-se a este local onde enchiam as quartas ou as infusas.
A sua construção remonta ao ano de 1868, quando se manda edificar uma fonte abobadada.

"Anno de nascimento do Nosso Senhor Jesus Christo Mil Oitocentos sessenta e oito aos sette dias do mez de Junho no Paços d’este Concelho de Salvaterra de Magos (…)
Construção d’umma fonte no logar da Glória (…)
A fonte terá cinco metros e cincoenta e quatro centimentros de diametro com abobada.
A Camara fornece fretes da pedra, cal e tijolo para a fonte, e o arrematante fornece o tijolo preciso”

Fonte: AHMSM – Livro de arrematações 1840 – 1877

16/01/06

Comentário de Alexandre Fonseca

Continuamos a receber comentários de pessoas sobre o Blog.
Aqui deixamos a opinião de Alexandre Fonseca, e continuamos a apelar para participar com artigos, fotos, tudo o que possa engrandecer e divulgar a Glória do Ribatejo.

Bem, acho este espaço na net, bastante informativo para as pessoas que não conhecem os costumes, a tradição , desta vila que nos enche de orgulho a cada dia que passa.
Acho que tiveste uma excelente ideia Beto...
Um grande abraço...
Alexandre Fonseca

12/01/06

O Vinho


O recurso ao vinho é das soluções mais universais do Homem, porque se bebe por tudo: quando se está triste, quando se está contente, porque se está só, porque se está com os amigos, porque estamos zangados, porque fizemos as pazes, porque estamos apaixonados, porque celebramos a vida, e até, quando acompanhamos a morte.

Taberna da Ti Isabel "Sapateira"


Interior da taberna da Ti Isabel "Sapateira"

Taberna do Ti Manel Esteves

Interior da Taberna do Ti Manel Esteves e a Ti Maria Luísa - 2 figuras peculiares da Glória do Ribatejo

As Tabernas

Eram locais de sociabilidade, onde os homens faziam questão de beber o copo de vinho sem interrupção, contudo bebiam este copo devagar, prolongando o prazer do sabor, deixando sempre uma pinga no fundo que era atirada para o chão da taberna.
Finalizavam este acto, proferindo a expressão “AAHHHH”! Limpando a boca às costas da mão ou nas mangas da camisola.
Hoje em dia na Glória do Ribatejo, apenas restam 2 tabernas tradicionais dignas desse nome: a Taberna do Ti Manuel Esteves e a Taberna da Ti Isabel Sapateira, as outras evoluíram para Café ou fecharam as portas.

10/01/06

Café Flor da Glória


O Café Flor da Glória, estava localizado no "Largo do Chaparrão" e foi o primeiro café a aparecer nesta localidade.

08/01/06

COMENTÁRIO DE MARCO CRISTÓVÃO

Caro amigo,
Em primeiro lugar quero dar-te os parabéns pelo lindo filho que tens e que nasceu em tão linda data: 26 de Dezembro (também nasci a 26 de Dezembro).
Depois, quero dar-te os parabéns pelo teu blog sobre a nossa Glória do Ribatejo. Apesar de fazer a minha vida entre Salvaterra de Magos e Lisboa, por motivos familiares e profissionais, confesso que é na nossa terra que me sinto no paraíso.
Não existem palavras para descrever o ar que se respira na Glória.
É fenomenal falar com os nossos avós que nem ler sabem e que tudo nos deram para nos licenciarmos e triunfarmos na vida.
Esta pode ser a palavra chave da nossa terra: DAR.
Muito está por dizer e por contar. Tenho a certeza que este blog irá contribuir para levar a Glória ao mundo.
Cada vez mais tenho orgulho em dizer que sou natural da Glória do Ribatejo nestes meios onde me movimento, um Chibo assumido a 100%.
Um abraço e qualquer dia volto a deixar-te mais uma prosa. Inté...
Marco Paulo Cristóvão

ALGUMAS NOTAS SOBRE AS ALCUNHAS NA GLÓRIA DO RIBATEJO II

Continuação de alcunhas na Glória do Ribatejo (parte 2:

Alcunhas alusivas a dotes, ou defeitos físicos e morais:
- João “Cara-Linda”
- José “Talunga” (o seu antepassado era muito alto)
- Manuel “da Tora”
- José “Preto”
- José “Cor-da-Noite”
- João “Pão-de-Centeio” (por andar sempre a rir)
- António “Pasmarra”
- Modesto “Sono”
- Silvestre “Faralhéu”
- Quitéria “Mansa”
- Maria “Fina”

Alcunhas determinadas por ofício ou profissão:

- Custódio “Marinheiro”
- António “Sardinheiro”
- Inácio “Fachineiro”
- António “Sapateiro”
- António “Barbeiro”

Alcunhas com origem em nome de animais:
- Alexandre “Mosca”
- Maria “Chiba”
- Maria “Loba”
- Inácio “Borrego”
- Quitéria “Bezerra”
- Joaquina “Cuca”
- António “dos Perus”
- José “Gato”
- Joaquina “Rola”

Alcunhas referentes a utensílios, apodos ou estribilhos:
- Rita “Chocalho-Velho”
- António "Tacão"
- Joaquim “Estaca”
- António “Mau-Tempo”
- Rita “Não-te-Cases”

ALGUMAS NOTAS SOBRE AS ALCUNHAS NA GLÓRIA DO RIBATEJO

Após o nascimento, o bebé é inscrito no Registo Civil, com um nome de acordo com a lei, mas verifica-se que raramente o uso, o que acontece é que a pessoa em questão vai ser conhecida por uma alcunha.
Por vezes ninguém na Glória conhece o indivíduo pelo nome “oficial”, mas sim pela alcunha o que origina situações algo caricatas.
As alcunhas fazem referência ao carácter hereditário, a lugares geográficos, a atributos físicos, a profissões, a nome de animais entre outros.

Alguns exemplos:

Alcunhas hereditárias:
- Nome oficial: Maria Monteiro Gomes
- Nome conhecido: Maria “Ermelinda” (Ermelinda da mãe)
- Nome oficial: António Caneira Pereira
- Nome conhecido: António “Rito” (Rito, da mãe = Rita)

Outras alcunhas têm por vezes um significado no qual se verifica a observação do povo e o seu espírito crítico.

Alcunhas por local geográfico:

- António “do Pinhal”
- Francisco “do Loulé”
- Manuel “da Lama”
- Ana “Mugica” (de Muge)

05/01/06

A MULHER GLORIANA III

MULHER GLORIANA II




“Permanecendo na charneca ou seguindo ela própria, com os filhos e com o gado, atrás do homem, quando a necessidade de melhores pastagens o exigia; na quietude como nessas caminhadas até às proximidades dos surgidoiros demandados pelo marido e nas quais permanecia até ao regresso deste.
Aprendeu a fortalecer a vontade sem nunca perder o amor aquele chão onde haviam nascidos os pais e os avós.”


Margarida Ribeiro In Estudos sobre a Glória do Ribatejo

A MULHER GLORIANA


“Se a observarmos hoje, sentada no chão, dentro da sua própria casa, de pernas cruzadas; se fixarmos o seu rosto queimado pelas intempéries em contraste com a brancura das têmporas, devido à protecção permanente do lenço que põe na cabeça; se perscrutarmos a sua posição aprumada e silenciosa, teremos compreendido as longas vicissitudes experimentadas pelas gerações que lhes transmitiram a indiferença pelo conforto e o sentido de providência e economia com que sabe precaver-se”

Margarida Ribeiro, In Estudos sobre a Glória do Ribatejo

04/01/06

Comentário de Ana Margarida Caneira

Registamos aqui com muito interesse e alegria o comentário de uma gloriana Ana Margarida Ribeiro, e apelamos para que continuem a enviar comentários para agloriadomundo@sapo.pt


Descobri, por acaso, este espaço dedicado à Glória e achei muito, muito giro. Acho estes registos fundamentais para memória futura.
De repente, lembrei-me de algumas férias que lá passei, os passeios de carroça com o meu avô João, as rãs dentro do poço da Sesmaria a quem atirava caroços de pêssego, as matanças do porco que tanto me impressionavam, o pão acabado de cozer e que a minha avó barrava com azeite e açucar, a minha cama com colchão de palha, a lareira com os chouriços pendurados, o Tóino Ceguinho e o seu acórdeão, e tantas outras coisas.
Foi engraçado descobrir este blog.

Vê-se que é um trabalho de pesquisa feito com gosto e espero que tenha continuação.
Margarida
Esqueci-me: As fotografias são muito boas.